domingo, 4 de dezembro de 2016

A 746 E A BASE.

Encerrando a nossa participação neste fórum trago aqui ainda a discussão da proposta de implantação de um Currículo único no Brasil, tema pertinente das reformas educacionais das últimas décadas em todo o mundo e objeto de polêmica entre  ANPED e MEUCCI. A adoção de um currículo único no Brasil  avança num clima de grandes incertezas de sua real implementação frente à MP 746 que domina na atualidade os debates. A 746 ofusca a Base, daria uma boa manchete de jornal. No entanto e apesar dos percalços  se encontra pronta a segunda versão Base Nacional Comum Curricular após a realização dos debates e consolidação das contribuições ocorrida pelo site e através dos vários encontros realizados com este fim. As colocações de RODRIGO NUNES DA CRUZ - domingo, 4 Dez 2016, 15:23 corroboram as afirmativas acima quanto a participação pró base, quando diz que “a Base foi um aprendizado maduro, que enfrentou e explicitou uma grande tensão entre a centralização e a autonomia dos currículos.” Continuando ele pontua: sendo fruto de discussão e diálogo, [...] que permanecerá ocorrendo a respeito do tema.” Ao longo deste período nos artigos lidos vimos interessantes análises sobre a implementação dessa política em vários países do mundo. Na seção 4 do livro intitulada Crise Cultural, Nigel introduziu leitura que trata da reforma conservadora na Grã Bretanha na década de 80 envolvendo o problema do currículo nacional.  BROOKE p. 272 assim se expressa “Percebe-se como a ideia de um resgate dos padrões do passado se concretizou na forma de uma legislação detalhada sobre todos os conteúdos de um currículo centralizado e obrigatório.” Apesar de realidades díspares entre Grã Bretanha e Cuba situação análoga se verifica neste país  que desenvolve sua educação também pela imposição de um currículo nacional único, sob argumento da necessidade de padronização de conteúdos de ensino devido o argumento da excessiva autonomia dos professores e da necessidade de monitorar e  avaliar os desempenhos dos alunos. CARNOY P. 138 “[...] as crianças cubanas estão recebendo um currículo de matemática bastante exigente, transmitido de modo muito mais eficaz, por professores melhor formados, mais frequentemente supervisionados e orientados”. Quanto a situação do Brasil, no que toca o ponto de uma reforma mais geral implementada na educação nos conteúdos a serem ministrados, houve significativa participação na estruturação de uma Base nacional Comum Curricular, embora para alguns críticos tenha sido muito restrita esta participação, em Minas Gerais aconteceram alguns seminários com o objetivo de debater já a segunda versão da Base e no Brasil todo também foram realizados seminários com o mesmo objetivo nas 27 unidades da federação. Desses seminários saíram contribuições importantes para construção definitiva de uma base que atenda a necessidade educacional do país e novas contribuições foram introduzidas sendo publicado agora sua segunda versão.  De tudo que já foi argumentado de que a base coloca a possibilidade de reduzir a desigualdade na aprendizagem de alunos de escolas de todas as regiões do Brasil existe também o estabelecimento de metas de aprendizagem onde estará definido o que o aluno deve saber ao final da cada um dos anos de escolaridade. Grandes mudanças são esperadas com a adoção de um currículo único no Brasil com implicações na política de livros didáticos, do plano de aula e sua execução em sala, bem como para a formação do professor. Se for levada a sério a política da Base Nacional esta será um grande norte, e seguramente um dos grandes saltos de qualidade da educação brasileira.
REFERÊNCIAS 
MEUCCI, Simone. Velhos escombros sobre uma nova base ou "Requiem para uma Base insepulta”. Texto apresentado no 40ª Encontro da ANPOCS. Disponível em: < https://revistaescuta.wordpress.com/2016/10/31/velhos-escombros-sobre-uma-base-nova-ou-requiem-para-uma-base-insepulta/>. Acesso em 04 Dez 2016.
 ANPED. Exposição de Motivos sobre a Base Nacional Comum Curricular. Rio de janeiro.2015. Disponível em: www.anped.org.br/sites/deefault/files/resources/ Of_cio_01_2015_CNE_BNCC.pdf   Acesso em 04 Dez. 2016
BRASIL. MEC. Base Nacional Comum Curricular. 2ª Versão. Disponível em < http://basenacionalcomum.mec.gov.br/documentos/bncc-2versao.revista.pdf> Acesso em 04 Dez. 2016
BROOKE, Nigel. (Org.). Marcos históricos na reforma da educação. 1. ed. Belo Horizonte, MG: Fino Traço, 2012.

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