quarta-feira, 30 de novembro de 2016

REFORMAS EDUCACIONAIS DOS ANOS 90

Como estamos presenciando a proposta de Reforma do Ensino Médio em nosso país, em tramitação no senado, cria uma situação muito complicada para todos os encaminhamentos das últimas políticas públicas que vinham se dando. Vimos que a Medida Provisória 746 atropela políticas pública importantes que vinham se consolidando e se firmando a partir de grandes acordos entre os mais diversos grupos e posições conflitantes no Brasil. Está ocorrendo um desvio dos temas e problemas que vinham dominando o debate educacional no país. A base e o plano nacional de educação foram retiradas do foco está relegada à 746, que  não considerou todo o esforço empreendido até aqui no campo da estruturação do currículo único e de uma política de estado. As alterações propostas pela 746 estão dentro de mudanças muitas mais amplas  empreendidas mundialmente no campo do neoliberalismo, da racionalidade econômica  e do tecnicismo na educação. Acompanhamos com a obra do Nigel Brook este grande movimento capitalista em prol de uma educação produtora de capital humano como insumo alimentador do lucro no mercado capitalista. Como já pontuado aqui neste fórum, a facultação de disciplinas importantes para a construção do ser humano e do pensamento crítico serem relativizadas, ignorando lutas históricas para a introdução das mesmas no currículo tem significado importante para o neoliberalismo. Sociologia, filosofia, artes não interfere na construção do fator de produção capitalista porque ensina a pensar, ao contrário, estas disciplinas constitui um empecilho ao crescimento capitalista uma vez que ensinam os jovens a entender a acumulação do capital. A proposta é de investir mais um bilhão e meio para converter escolas para tempo integral, ou seja, é aumentar mais tempo da educação com disciplinas do campo da técnica e das exatas, excluindo área de humanas, para inserir o jovem nas necessidades de lucro das empresas. A falácia está escondida no objetivo de ajudar o estudante a desenvolver mais plenamente. A educação tecnicista ignora e separa preconceituosamente o saber técnico do saber intelectual não compreendendo que estudar, ler constitui também um trabalho. Muitas secretarias aderirão em função dos 2 mil reais que serão investidos por aluno anualmente, diante da carência de recursos e políticas públicas voltadas para a juventude brasileira. E esse investimento é instituído dentro da visão da teoria do capital humano de Schultz. Faz-se uma ponte deste nível de ensino com o curso superior, que no caso, segundo os autores da 746 o estudante guarda crédito para ingresso na universidade. Onde estão os créditos do ensino Médio com níveis tão baixos de proficiência no IDEB?  São as baixas proficiências que aumentam o número de jovens que saem da universidade. Os jovens acabam abandonando por não ter base para acompanhar as disciplinas no nível superior, os créditos do ideb ajudam a engrossar o abandono e não no ingresso. A teoria do capital humano formulada por Schultz na década de 50, ganhador do prêmio nobel em 1968, em que buscou explicar a produtividade pelo “fator humano” da produção está no fundo das reformas propostas pelo governo “gerontocrático” de plantão como batizou Meucci. Por esta teoria trabalho humano, vamos qualificar por meio da educação a juventude,  pois este é o caminho para a ampliar a produtividade econômica, e, portanto, das taxas de lucro do capital, neste Brasil em crise econômica. É uma visão tecnicista, de que educação é a base do desenvolvimento da economia e dos indivíduos. Alinho com a  colega INEZ CRISTHINA ASSIS MARCELINO - segunda, 28 Nov 2016, 20:38, quando ela cita o BROOKE 2012, dizendo que pela teoria do capital humano o nível de escolarização de uma sociedade possui relação direta com o seu crescimento econômico e social e que o princípio da racionalidade econômica é um preceito que prega a satisfação máxima com utilização mínima de recursos.
ANPED. Exposição de motivos sobre a Base Nacional Comum Curricular, 2015. Disponível em: <http://www.anped.org.br/news/exposicao-de-motivos-sobre-base-nacional-comum-curricular >.Acesso em: 27 nov. 2016.
ROOKE, Nigel. (Org.). Marcos históricos na reforma da educação. 1. ed. Belo Horizonte, MG: Fino Traço, 2012.
MEUCCI, Simone. Velhos escombros sobre uma nova base ou "Requiem para uma Base insepulta”. Disponível em: < http://www.ppgp2.caedufjf.net> Acesso em: 27 nov. 2016.
PORTAL BRASIL. Cidadania e Justiça. Entenda o Novo Ensino Médio. Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/educacao/2016/09/entenda-o-novo-ensino-medio> Acesso em: 30/11/2016

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