sexta-feira, 25 de novembro de 2016

PME e o BNCC frente ao governo Temer.

Parece que o momento é de grande risco para todas as últimas conquistas educacionais. Toda a luta da sociedade para fazer valer a Constituição Federal no campo do direito à educação, nunca plenificado no país volta novamente ao marco zero. O PME a BNCC se encontram sob forte ameaça desta açodada Medida Provisória do Ensino Médio. Meucci fala de um “período institucional em que as políticas públicas estão sob forte ataque”. A sensação que se tem é que abriu se um parêntese no planejamento no curso das políticas, e que “do nada” como se diz no popular lança se um objeto estranho invalidando toda uma trajetória sofrida, negociada, construída passo a passo com o suor e a inteligência de todos. Chegou-se a um ponto em que como ressaltou a autora do texto,  o BNCC, o PNE foram  “suspensos” da aula em pleno momento do exercício de consolidação da aprendizagem. A metáfora da família que vê desaparecido um de seus membros é bem explicitadora, da situação de todas estas políticas quando o governo de plantão que não confirma morte, mas a ausência cada vez mais longa consome a esperança. No momento em que deveria se deslanchar os encaminhamentos para efetivação da base, surge da gerontocracia a 746. O debate em curso em torno da base foi substituído pela polêmica dos conteúdos que serão ou não obrigatórios na 746. Concentram aí uma Reforma que é muito ampla e perfeitamente contemplada no PNE. A Meucci fala que esta 746 “é como se recebêssemos uma carta do sequestrador acompanhada de alguns dedos e da orelha da vítima, anunciando o seu retorno.” Reacendem o complexo dilema das combinações: centralização/descentralização, atraso/avanço, democracia/autoritarismo. A autora fala que é possível que o PNE desapareça no triângulo das bermudas: PEC-241, MP-746 e pela  PL4567/16.  A colegas MIRIAN VALERIA DE CARVALHO - quarta, 23 Nov 2016, 21:30 assim analisa a MP 746 “foi uma medida apressada e deixa muito a desejar em se tratando de qualidade de ensino e da real preocupação com a formação integral dos estudantes bem como do interesse nos docentes e sua atuação.” O professor que veio substituir não considerou o planejamento do substituto, apagou o quadro com tudo que seu colega fez e ainda disse aos alunos que o outro ensinou errado, esta é a sensação. Vamos recomeçar, reinventar a roda e assim mais  tempo e atraso para garantir uma educação de qualidade aos estudantes brasileiros.


MEUCCI, Simone. Velhos escombros sobre uma nova base ou "Requiem para uma Base insepulta”. Texto apresentado no 40ª Encontro da ANPOCS. Disponível em: < https://revistaescuta.wordpress.com/2016/10/31/velhos-escombros-sobre-uma-base-nova-ou-requiem-para-uma-base-insepulta/ />. Acesso em 24 Nov 2016.

Nenhum comentário:

Postar um comentário